Inquiry is not a project. Inquiry is how we show up in the classroom. Inquiry is a stance from which we teach. (Trevor Mackenzie, Inquiry Mindset, p.13
Quais os benefícios do acolhimento e do incentivo das perguntas em sala de aula?
Criar e desenvolver rotinas de perguntas em sala de aula permite às crianças e aos jovens treinar a competência do perguntar. Sem as perguntas dos alunos e das alunas, é o/a professor/a quem tem o monopólio do questionamento em sala. Perdem-se oportunidades de desenvolver a autonomia e a confiança junto dos alunos e das alunas.
Perguntar permite-nos treinar o pensamento colaborativo, bem como a curiosidade e o pensamento crítico e criativo. A atitude a cultivar é a de investigar a pergunta e a resposta possível. Ou respostas. Esta atitude é essencial num mundo em constante mudança, para estas crianças e jovens que estão a ser preparadas para assumirem profissões que ainda hão-de ser criadas.
Citando Trevor Mackenzie: "(...) curriculum is not something we cover, curriculum is something we explore and discover." Em vez de olhar para os conteúdos ou para as aprendizagens essenciais como "coisas que tenho de dar", considere olhar para esses conteúdos como algo a explorar e a descobrir. As perguntas podem ser a ferramenta essencial nessa exploração, nessa descoberta, pois convidam-nos a investigar, a indagar, a aprender.
Quando abrimos espaço para as perguntas das crianças e dos jovens estamos a convidá-los a participar naquilo que acontece na sala de aula. As crianças têm o direito de serem escutadas (ver Convenção sobre os Direitos da Criança, artigo 12.º) e nós, pessoas adultas, temos o dever de as escutar e de considerar o que dizem, com seriedade e autenticidade.
Ao contrário do que se possa pensar, as perguntas não constituem uma perda de tempo:
No longer a distraction from the curruiculum, questions become the source for inquiry, an invitation to personal relevance, an acess to prior knowledge, and a bright indicator of next steps. (Trevor Mackenzie, p. 19)
As pessoas adultas tendem a subvalorizar as perguntas das crianças e dos jovens, por considerarem que não são pertinentes para aquilo que têm de tratar em sala de aula. Há uma certa falta de confiança perante as perguntas das crianças e dos jovens. Para que essa confiança se instale, é necessário treinar a arte de perguntar e modelar aquilo que são perguntas relevantes.
As inquiry educators, we must encourage and equip students to create questions - open and closed questions - and then to grapple with them, interrogate them, and push them around a bit. We want students to think critically and debate whether a question is open or closed when sharing their opinion or stance. We want students to reflect, rethink, revise, and rewrite questions and in doing so, reimagine their role in the inquiry classroom. (Trevor Mackenzie, Inquiry Mindset, p. 25).
A sala de aula deve promover as perguntas abertas e as perguntas fechadas. Há alguma tendência para considerar que a pergunta deve ser aberta, pois não condiciona a resposta. Ora, uma pergunta é algo que amplia e que limita, ao mesmo tempo. Assim, podemos convidar as crianças e os jovens a pensar e a perguntar ambos os tipos de perguntas.
"E depois como é que respondo a essas perguntas?" - esta é uma pergunta que oiço de vez em quando nas formações. Ora, não temos de responder a todas as perguntas. O processo de pensar em perguntas, de as registar, de avaliar a sua pertinência permite-nos pensar nas possíveis respostas. Além disso, as crianças podem pensar nas respostas por si só; nem tudo tem de passar sempre, a todo o tempo, pelo crivo da professora ou do professor.
Nem sempre é fácil para as crianças e para os jovens avançarem com perguntas. Podem ter tido experiências passadas nas quais as suas perguntas foram ignoradas. Por vezes as pessoas adultas reagem às perguntas com "isso não é adequado para ti". É preciso (re)construir a confiança das crianças e dos jovens nas suas perguntas, dando-lhes tempo e espaço para praticar o perguntar. É importante acolher as suas perguntas e modelar outras que podem ser pertinentes para o trabalho do pensamento crítico.
Referência: Inquiry Mindset, de Trevor Mackenzie.
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