quarta-feira, 24 de junho de 2009

A rede somos nós, por António Bob Santos

É cada vez mais evidente o poder que as redes sociais têm sobre a democratização no acesso à informação e ao conhecimento, bem como na “vigilância” sobre os diversos acontecimentos que vão ocorrendo em qualquer parte do mundo. Um dos exemplos mais recentes é a solidariedade da comunidade “twitteriana” com os contestatários dos resultados das eleições no Irão, traduzida na enorme “mancha verde” que “contagiou” esta rede social. Os líderes, os partidos políticos, a actuação das empresas e das entidades públicas, bem como os próprios media sabem que os seus actos são constantemente escrutinados por pessoas cada vez mais exigentes, mais informadas, com maior capacidade de influência, que utilizam a Internet como um instrumento embebido nas suas acções quotidianas.
Ao contrário do que acontecia há uns anos, em que a informação que nos era chegada via rádio ou televisão não tinha contraditório, a actual generalização da Internet e a facilitação do seu acesso a todos e em qualquer lugar dá-nos a possibilidade de termos uma noção mais abrangente dos acontecimentos em todas as suas dimensões, e de questionarmos construtivamente a selecção da informação que nos é transmitida. Se bem que a nível mundial ainda há uma (grande) faixa da população que não utiliza a Internet, é óbvio também que essa percentagem tem tendência para diminuir rapidamente, dados os esforços dos principais Governos a nível mundial (e dos vários agentes económicos) na promoção e generalização de redes de Internet de Banda Larga de Nova Geração, permitindo comunicações de alto débito e estimulando a produção de conteúdos cada vez mais evoluídos.
Tradicionalmente, sendo a área da investigação e da ciência e tecnologia os early adopters no que se refere à utilização da Internet e das redes de alto débito (em Portugal, o meio académico utiliza redes de nova geração desde 2005, via RCTS), o desafio que se impõe para os próximos anos prende-se, não só com a generalização destas redes à população em geral e às empresas, como também como o desenvolvimento de conteúdos e serviços que melhorem a nossa vida quotidiana. Felizmente, temos em Portugal uma massa critica de pessoas e empresas cada vez mais qualificadas e em maior número, com forte capacidade criativa e capaz de desenvolver soluções inovadoras e competitivas à escala global, contribuindo para tornar o nosso país cada vez mais num actor relevante nesta sociedade de redes. E quer se tratem de redes de conhecimento, redes de solidariedade e inclusão, redes de inovação ou mesmo redes de influência, os seus actores (ou seja, nós) são cada vez mais responsáveis sobre os seus destinos.

in http://criar2009.gov.pt/opiniao/%E2%80%9Ca-rede%E2%80%9D-somos-nos/


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